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(Review) Chromecast – o dispositivo de streaming do Google

27 de abril de 2015

Lançado nos Estados Unidos em Julho de 2013, o Chromecast chegou ao Brasil no ano seguinte. Trata-se de um dispositivo de streaming em forma de dongle, bastante parecido com um pendrive.

Concorrente direto da Apple TV (além de ter sido lançado oficialmente em território nacional), o equipamento permite a transmissão de conteúdo multimídia à partir de dispositivos móveis (smartphones e tablets) e de computadores para a tela da televisão.

Considerações iniciais

Dentre seus atrativos, podemos mencionar inicialmente o preço competitivo (US$ 35,00 no exterior – R$ 200,00 – R$ 250,00 no Brasil, contra os US$ 69,00 / R$ 399,00 do equipamento da Apple) e a grande variedade de conteúdo e aplicativos disponíveis.

Chromecast

O pequeno aparelho conta com uma porta HDMI em uma das pontas e com uma micro USB na outra. Ele pode ser alimentado tanto através de uma das portas USB da TV (um cabo acompanha o conjunto) quanto através de um adaptador (também acompanha o pacote).

Vale lembrar que aparelhos de TV com conexões HDMI padrão 1.4 fornecem toda a energia que o Chromecast precisa, dispensando, portanto, a necessidade de alimentação via USB ou adaptador. O aparelhinho, quando instalado, ocupa pouquíssimo espaço e pode até mesmo passar despercebido.

Mais liberdade e conteúdo para o usuário

Diferentemente de outros dispositivos de streaming, incluindo set-up-boxes como a Apple TV, por exemplo, o Chromecast é um tanto quanto mais aberto. O usuário é quem decide quais aplicativos (e consequentemente, quais serviços) vai baixar/utilizar. Nada vem pré-instalado de fábrica, nenhum conjunto de aplicações (Netflix, Youtube, Chrome, Deezer, Twitch, etc) é exibido ao usuário assim que ele liga o Chromecast pela primeira vez.

O próprio aplicativo do Chromecast para smartphones e tablets serve basicamente para configuração: as transmissões e os devidos ajustes individuais devem ser realizados em cada uma das apps, conforme o uso e a necessidade.

Chromecast

O Chromecast foi lançado com suporte a uma pequena quantidade de serviços, mas isto mudou rapidamente. Atualmente seu SDK está disponível para download e uma grande quantidade de serviços e aplicativos de terceiros já faz parte de seu ecossistema.

A maneira como o dongle do Google trabalha, totalmente descentralizada, também é bem interessante, mesmo que passível de assustar alguns usuários e/ou causar algumas confusões. As transmissões sempre devem ser iniciadas à partir da fonte, do serviço em questão, ou seja, do aplicativo oficial de cada provedor de conteúdo. Sendo assim, para transmitir vídeos do Youtube para a TV, por exemplo, é preciso iniciar o aplicativo do site de vídeos e clicar no botão “Cast”. E assim por diante.

ChromecastEsta maior liberdade (a própria licença do kit de desenvolvimento cita softwares de código aberto) também trás algumas vantagens extras que representam ótimos diferenciais em relação aos produtos concorrentes. Podemos reproduzir outros formatos de conteúdo, como vídeos, por exemplo, incluindo conteúdo local.

Aplicativos e extensões

O VPC Media Player, por exemplo, incluirá suporte ao Chromecast à partir da versão 3.0, mas já neste momento é perfeitamente possível transmitir vídeos armazenados em computadores locais (que estejam dentro da mesma rede wi-fi onde se encontra o dongle).

Extensões e utilitários como Videostream, Plex, Google Cast (para o navegador Chrome) e LocalCast permitem espelhamento de conteúdo armazenado em computadores e em dispositivos móveis de maneira muito simples e eficaz, sem muitos passos antes da transmissão. Na verdade, usar estas extensões é um procedimento muito descomplicado: o usuário precisa apenas abri-las e escolher o conteúdo que será espelhado. Simples assim.

Vídeos, imagens diversas, músicas, fotografias e até mesmo arquivos PDF podem ser assim reproduzidos na tela da TV, sem que o usuário precise pagar nada a mais por isso nem tampouco perder tempo com ajustes trabalhosos.

Chromecast

O Google Cast também é uma extensão formidável, principalmente por permitir a transmissão de uma aba do Chrome para a televisão, de forma rápida e descomplicada.

Com esta extensão, o usuário pode simplesmente abrir uma aba no navegador e transmitir o que quer que ocorra aí para a televisão, seja um vídeo ou apenas a tela em si (tudo o que acontece na tal tela é espelhado na TV, incluindo o som, claro). Veja só: esta é uma maneira alternativa de exibir um vídeo na televisão com o Chromecast.

Espelhamento e uso de controles remotos de aparelhos de TV

O dongle do Google também permite que as telas de tablets e smartphones Android sejam espelhadas na TV, e também aqui a simplicidade é enorme. Aliás, existe uma opção no menu do aplicativo dedicada a este recurso, e um simples toque dá início ao à mágica.

Existem até mesmo alguns games com suporte ao dispositivo, games que acabam transformando o celular ou o tablet em controles, em segundas telas. A oferta de títulos ainda é limitada, mas o recurso sem dúvida é extremamente promissor. Dentre os títulos com suporte ao recurso, podemos mencionar, por exemplo, “Big Web Quiz”, “Scrabble Blitz” e “Just Dance Now”.

Mas o espelhamento de conteúdo local para o Chromecast pode esbarrar em alguns problemas. Dependendo do tipo do conteúdo, da velocidade da rede e/ou do aplicativo em questão, podem ocorrer alguns delays. Claro, a ocorrência destes pequenos atrasos é algo que acaba passando batido quando consideramos o conjunto de excelentes recursos oferecidos pelo aparelho.

Chromecast

Recentemente, aliás, o Chromecast ganhou um novo recurso que pode ajudar a reduzir um pouco alguns dos incômodos resultantes de uma de suas falhas.

Agora, controles remotos de aparelhos de televisão com suporte à tecnologia HDMI-CEC – Consumer Electronics Control (a grande maioria) podem pausar e reiniciar a reprodução de vídeos pelo dongle. Apenas os botões de “play” e “pause” funcionam desta forma, e isto ainda está bem longe do ideal, mas já é alguma coisa (lembre-se, um tablet ou um smartphone ainda são essenciais para usar o equipamento de streaming).

Obs: o recurso ainda é compatível com poucos aplicativos. Por exemplo, a Netflix não aceita os comandos do controle remoto, enquanto o Youtube sim.

Ausência de controle remoto dedicado, dependências e problemas

A respeito do problema que mencionamos acima, relacionado à ausência de um controle remoto, trata-se de algo que, claro, não inviabiliza o uso do dispositivo. De maneira alguma. Alguns usuários, além disso, podem até mesmo nem se preocuparem muito com isto.

O dongle é simples, prático, isto não podemos negar. Cumpre suas tarefas com maestria, e esta simplicidade toda, ao lado de sua plataforma muito mais aberta, acaba sendo uma vantagem enorme para pessoas que procuram algo que possa ser expandido, melhorado com o uso de apps de terceiros.

Isto também faz com que ele seja preferido por usuários mais técnicos e/ou que gostam de “colocar a mão na massa”, brincando com possibilidades e recursos não existentes em uma Apple TV, por exemplo (ou então, existentes porém mais complicados de serem realizados/configurados). As várias maneiras de envio de conteúdo local para a tela da TV são grandes provas disso, e aqui o Chromecast dá um banho no set-up-box da Apple.

O Chromecast também pode representar um grande atrativo para desenvolvedores se empenharem cada vez mais em criar soluções alternativas para aprimorar a experiência dos usuários (“gambiarras” para o dispositivo existem aos montes – uma rápida pesquisa no Google pode fazer com que você conheça um monte delas).

Mas não podemos negar: um controle remoto tornaria tudo muito melhor. A descentralização existente no Chromecast é um fator que contribui bastante para uma experiência de uso que acaba sendo menos fluida. Um equipamento como este, que acaba sendo visto por muita gente como uma central multimídia, a princípio, acaba se mostrando “menos central” quando suas dependências são detectadas (um Xbox 360 rodando Netflix, por exemplo, é bem mais independente, se bem que fechado, não exigindo a presença de um smartphone ou tablet).

Sem controle remotoVocê precisa trocar de aplicativo sempre que for utilizar um serviço diferente, além disso. Você deve alternar entre diversas interfaces diferentes. Entre Youtube, Netflix, Google Play Filmes, Google+, Google Play Music, Rdio, etc, sempre que desejar assistir ao conteúdo de um destes parceiros do Google.

Veja a Apple TV, por exemplo: o dispositivo de streaming da empresa da maçã também entrega o conteúdo através de apps de terceiros, mas isto se dá de uma forma bem mais integrada, bem mais simplificada, através de um conjunto de aplicativos que vêm pré-instalados de fábrica. Vale também lembrar que tudo acontece na própria Apple TV, na tela da televisão e através do uso do controle remoto: você não precisa utilizar nenhuma app em outro dispositivo.

ChromecastUma única interface cobre praticamente todas as necessidades do usuário, e tudo o que este tem de fazer então é utilizar funções e recursos pré-definidos, todos eles acessíveis através do controle remoto.

Pode parecer que não, mas um controle remoto faz falta, aqui. Além disso, o dongle é totalmente dependente de um smartphone ou tablet, iOS ou Android. A ausência de um destes equipamentos inviabiliza seu uso, e problemas com baterias que não foram carregadas sempre devem ser levados em consideração (situação esta que não existiria caso existisse um controle remoto dedicado).

O espelhamento de conteúdo pode ser feito à partir de um PC, obviamente (veja acima), mas a utilização de serviços de streaming sob demanda, por exemplo, fica bastante prejudicada, senão impossível.

Falando agora a respeito do pequeno exemplo/comparação com a Apple TV, vale ressaltar que este último é um equipamento fechado, sem espaço para as “gambiarras” e vantagens (sem falar na extensão de recursos) conferidas por aplicativos e soluções de terceiros no Chromecast.

A Apple TV é muito mais limitada no que diz respeito aos tipos de arquivos de vídeo que podem ser exibidos, por exemplo. O espelhamento de conteúdo no set-up-box também é mais limitado, além de mais complicado (por complicado, aqui, entenda apenas “um pouco menos simples”, ou quem sabe menos amigável a usuários que não gostam de colocar a mão na massa).

É até possível ampliar a quantidade de tipos de vídeos que podem ser espelhados via AirPlay na Apple TV, através da utilização de ferramentas como o “Air Video”, por exemplo. Mas assim percebemos facilmente que a “simplicidade” do dispositivo de streaming da Apple acaba sendo uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que a vida do usuário fica mais simples, ela também fica mais “fechada”, mais limitada.

O ideal, claro, seria um meio termo, um ponto de equilíbrio, talvez. Um “dispositivo dos sonhos”, com tudo de bom que o Chromecast e a Apple TV têm a oferecer (considerando aqui o fato de que estes são os dois únicos oficialmente lançados no Brasil), e sem os problemas inerentes a cada um.

Um aparelho que pudesse ao mesmo tempo ser controlado por um aplicativo para dispositivos móveis e por um controle remoto, original, de fábrica. Um equipamento mais aberto, como o Chromecast, com um SDK disponível a desenvolvedores do mundo todo e que recebesse aplicativos tão interessantes e úteis quanto o Plex e o Videostream, por exemplo.

Um início tão tão rápido e transmissões desprotegidas

Vale também citar o fato de que começar a usar o Chromecast é um processo um tanto quanto lento, pelo menos se considerarmos outros dispositivos de streaming do mercado. Após ligarmos a TV com o aparelho plugado não somos apresentados a nenhum wizard na tela da TV, a nenhum tipo de guia que nos oriente durante o processo de configuração (na verdade, a primeira imagem exibida é um papel de parede).

Outro problema que vale a pena ser mencionado está relacionado à proteção das transmissões ou, de outra maneira, à ausência de um mecanismo que previna “bagunças”/uso indevido: qualquer pessoa dentro da mesma rede pode dar início à reprodução de um vídeo, um filme ou uma música, por exemplo. Qualquer pessoa na mesma rede com um smartphone ou tablet em mãos pode simplesmente baixar o aplicativo e acessar o Chromecast, inclusive realizando espelhamentos.

Chromecast

As transmissões podem também ser afetadas devido ao equipamento ter alguns problemas em relação à captação do sinal wi-fi. Em nossos testes passamos por situações deste tipo, situações em que ele simplesmente “perdeu o sinal”, e relatos similares podem ser encontrados facilmente na internet.

Justamente devido a isto ele vem acompanhado de um extensor HDMI que também funciona como antena. O usuário deve ficar atento também ao local de instalação, certificando-se de que ali existe boa cobertura por parte do modem ou do roteador.

Problemas de má recepção, vale sempre lembrar, podem ter origem em diversos elementos, muitos deles alheios ao Chromecast. É importante então certificar-se de que tudo contribui para uma boa recepção, e embora o extensor HDMI por si só não represente a solução completa, ele ajuda bastante.

Conclusão

Podemos dizer que o Chromecast é um fantástico equipamento, com um custo-benefício excelente. Mesmo no Brasil, apesar do preço mais alto, sua aquisição pode ser totalmente justificada a médio e a longo prazo.

Trata-se de outra alternativa excelente às Smart TVs. O dongle do Google transforma aparelhos de TV em dispositivos conectados e capazes de oferecer muito mais diversão e entretenimento. Seus principais problemas estão quase que totalmente ligados à ausência de um controle remoto dedicado, fator este que acaba prejudicando um pouco a experiência, além de representar uma dependência não muito bem vinda.

Mesmo assim, o dispositivo de streaming do Google não faz feio, e sua API aberta permite o desenvolvimento de aplicativos que estendem suas funções, dando também origem a formas de uso e a recursos não encontrados em outros dongles e set-up-boxes existentes no mercado.

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