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Robôs vão tomar conta do seu emprego?

Você conhece a história de John Henry? Seria uma boa ideia conhecer agora, porque logo, logo, ela pode se tornar a sua história…

Reza a lenda (porque os historiadores não conseguem chegar a um consenso de que isso aconteceu) que John Henry era um trabalhador de ferrovia nos Estados Unidos no final do século XIX. Seu trabalho consistia em pegar um pino de ferro pontudo, martelá-lo com a mais pesada marreta que um ser humano consegue levantar e fazer aquele pino abrir um buraco em rocha sólida. O buraco depois receberia uma banana de dinamite, para facilitar a demolição de um túnel por onde passaria uma ferrovia.

Enfim, trabalho braçal dos piores e John Henry era um titã de força.

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Estátua de John Henry, porque o homem virou uma lenda

Até que chegou o martelo à vapor que qualquer um poderia operar, supostamente era mais rápido e iria tirar o emprego de muita gente. Então, John Henry virou pro seu empregador e falou que trabalhava melhor que aquela máquina “moderninha”. O empregador riu. Por dentro, é claro, porque John Henry era imenso, cada braço era um tronco de ébano e estava segurando uma marreta que pesava mais do que o Justin Bieber. Foi proposto um desafio: a máquina versus John Henry para ver quem martelava pinos mais rapidamente.

O duelo durou um dia inteiro e parte do dia seguinte, além de ter virado a noite, porque a máquina, vocês sabem, não dorme. Contrariando todas as expectativas, John Henry venceu a corrida e martelou mais pinos que o martelo à vapor.

Infelizmente, ele morreu imediatamente depois de vencer, porque não aguentou o esforço.

E a indústria ferroviária passou a usar o martelo à vapor assim mesmo.

A grande pergunta é: você é o próximo John Henry? Os robôs vão tomar conta do seu emprego? Muito provavelmente, a resposta é “sim”.

“Opa, mas eu trabalho com transportes, meu sangue é gasolina, meu suor é óleo diesel, devo ficar preocupado?”

Não.

Você deve ficar aterrorizado.

Você pode estar pensando: “larguei aquele emprego miserável, comprei um carro preto, entrei pro Uber, sou meu próprio patrão”. Desculpe informar, mas o Uber que você hoje defende com unhas e dentes já está planejando substituir você por um carro autônomo a médio prazo e isso não é nem delírio da empresa, nem um segredo. Se você é taxista, nem adianta sorrir com o destino dos atuais motoristas do Uber, porque o seu vai pelo mesmo caminho.

“Está louco esse cara do Código Fonte, eu dirijo caminhão, sou o lobo da estrada, eu movo esse país”, talvez você esteja falando agora com o monitor, achando que eu vou ouvir. De fato, é uma categoria que veste a camisa de John Henry, seja aqui no Brasil, na Europa ou de costa a costa dos Estados Unidos. É uma das profissões com maior taxa de acidentes trabalhistas, com jornadas de trabalho que podem chegar a 14 horas diárias (isso no Primeiro Mundo!), má-alimentação e um salário que não justifica todo esse esforço. A boa notícia é que essas péssimas condições de trabalho vão deixar de existir no futuro. A má notícia é que o martelo a vapor, digo, os robôs vão assumir essa tarefa.

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Comboio: só o caminhão da frente é pilotado por um humano

Mas os caminhoneiros não vão embora sem luta. Embora a tecnologia já permita que veículos inteligentes cruzem as grandes rodovias, o transporte de carga pesada ainda exige um motorista humano no ponto de carga e no ponto de descarga, além de estradas impecáveis (e não aquilo que nós temos por aqui). Outro problema a ser resolvido no futuro é toda a infraestrutura construída pela sociedade para abrigar a mão de obra humana dos caminhoneiros: robôs dispensam restaurantes, oficinas, hotéis de beira de estrada e, dependendo do caso, até mesmo postos de gasolina.

Se você trabalha com entregas locais, o popular motoboy, seu futuro tampouco é promissor (se é que foi algum dia). Não é por acaso ou exibicionismo que a Amazon está trabalhando pesado para aprovar o uso de drones para entregas de encomendas. Ainda que uma moto possa cruzar distâncias com mais agilidade que um carro, nada substitui a linha reta que um drone pode fazer no céu. E essa revolução não irá se restringir a encomendas do gigante varejista: outras empresas do naipe de UPS e FedEx até pequenos comerciantes já estudam o uso de aeronaves controladas remotamente para entrega de pizzas e outros itens de primeira necessidade.

O ronco da sua motoca pode impressionar a turma na sexta à noite, mas eu experimentaria ganhar um pouco mais de familiaridade com um joystick. Operador de drone será uma das profissões do futuro. Até automatizarem isso também.

“Ahahaha, eu não preciso me preocupar! Eu sou um artista, meu trabalho é criativo!”

Esse não foi você dizendo isso. Fui eu, enquanto pesquisava para escrever esse artigo. Comecei rindo e agora estou chorando do seu lado.

Se você acha que certos trabalhos precisam de um “toque humano” saiba que “toque humano” agora é só mais um algoritmo. O Buzzfeed já produziu matérias geradas através de bots, o jornal The Los Angeles Times já usou programas para redigirem relatórios de terremotos e até a Associated Press, uma das maiores agências de notícias do mundo, não tem nenhum humano escrevendo sobre relatórios financeiros de empresas ou os resultados esportivos de times locais. Recentemente, um robô japonês por muito pouco não venceu um concurso literário.

Nas artes plásticas, um algoritmo conseguiu criar um “Rembrandt” inédito, analisando o estilo do mestre holandês. Até uma impressora 3D foi utilizada para reproduzir a textura de uma pintura à óleo tradicional. É bem possível que a obra seja mais “rembrandtiana” que o próprio Rembrandt. Especialistas acreditam que assistentes virtuais possam ser utilizados para substituir o trabalho de assistentes humanos dos estúdios de grandes artistas, o que acabaria sufocando a troca de ideias e o surgimento de sucessores desta ou daquela vertente artística, mas… tecnologia!

Nem a mãe de Rembrandt perceberia a diferença!

Nem a mãe de Rembrandt perceberia a diferença!

Na música, você pode até rir dos esforços da musa virtual Hatsune Miku de sair do nicho onde faz sucesso ou afirmar que música de verdade vem da alma e que DJs e músicos eletrônicos só apertam botões. Mas é inegável a influência dos algoritmos na indústria musical atual, principalmente na forma de ferramentas hoje consideradas indispensáveis como Pro Tools ou Ableton. A tendência é que o profissional de estúdio seja progressivamente substituído por máquinas, até o grande salto em que o próprio músico se torne uma peça descartável na engrenagem.

“Caramba, ainda bem que eu trabalho com tecnologia, né?”

Não se iluda, não crie esperanças. A menos que você programe robôs. Nesse caso, você pode esperar uma vida mais longa, se lembrar de programar piedade em suas criações.

Mas, se você trabalha com web, projetando sites e programando, já deve ter sentido o impacto que o WordPress e outros modelos de CMS tiveram no seu fluxo de trabalho. Quem não quer comprar um template baratinho e entrar no ar rapidinho? Mas isso não tem nada a ver com robôs. The Grid tem a ver com robôs. A starturp promete utilizar algoritmos de análise para criar um site novo, do zero, todo programado, a partir de parâmetros especificados pelo cliente. Identidade visual, paleta de cores para imagens, recortes de fotos, links, navegação, conteúdo, sai tudo pronto do outro lado, otimizado para dispositivos móveis, sem erros, é hospedar e o site está no ar. Eles juram que o trabalho de designers e programadores não será afetado, mas duvido muito que o cliente dê ouvidos.

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The Grid: A “Inteligência Artificial com bom gosto”, segundo seus próprios criadores…

Não trabalha com web? Trabalha com jogos? Emprego bom, né? É um sonho realizado… curta enquanto pode. A indústria cresceu vertiginosamente na última década e, claro, se for automatizada será melhor ainda para os peixes grandes desse mar. Se um computador pode criar um Rembrandt, é apenas questão de tempo para conceber um Myst da nova geração ou o próximo grande MMO. Jogos mais simples como Flappy Bird já são clonados com imensa facilidade, programar uma rotina para isso seria tarefa fácil. Títulos com conteúdo procedural, tecnicamente falando, já são automatizados. E há estudos para a geração automática de jogos inteiros.

Trabalha com segurança? Até hoje não viu uma solução automatizada capaz de garantir a proteção de um sistema com alta taxa de eficiência? E se eu te contar que o MIT desenvolveu uma Inteligência Artificial capaz de detectar com85% de sucesso um ataque eletrônico em questão de segundos? E ela está ficando mais inteligente a cada dia que passa. Batizada de AI2, ela identifica padrões de acesso de dados em uma rede e pode ler bilhões de linhas de registro por dia, até reconhecer atividade estranha. Atualmente, a AI2 repassa seus resultados para um analista de segurança que confirma se o evento registrado faz parte de um ataque. Com a resposta do analista, o algoritmo se torna ainda mais eficiente. Até o dia em que o analista vai precisar atualizar seu Linkedin.

Seu computador já pode ser desligado com segurança

Quando se fala em robôs tomando o lugar de humanos, não é difícil imaginar humanóides com LEDs no lugar de olhos, jeito de andar do Robocop e voz metalizada. Mas a automação está aí desde as primeiras máquinas a vapor, passando pelas grandes máquinas das fábricas de automóveis e chegando na tímida Siri/Cortana. E ainda estamos aqui, firmes e fortes, pejotinha ou carteira assinada, fazendo nosso trabalho. Receosos de sermos substituídos, mas firmes e fortes.

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Capa da revista Time… de 1980.

A despeito dos temores luditas de uma revolução das máquinas, a raça humana continua. E ainda não vai ser desta vez que os robôs vão 00100000 01110100 01101111 01101101 01100001 01110010 00100000 01110100 01101111 01100100 01101111 01110011 00100000 01101111 01110011 00100000 01101110 01101111 01110011 01110011 01101111 01110011 00100000 01100101 01101101 01110000 01110010 01100101 01100111 01101111 01110011 00101110 00001010 00001010 01001111 01110101 00100000 01110011 01100101 01110010 11000011 10100001 00111111

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