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Como um troll usou BASIC em 1979 para ameaçar Johnny Cash

26 de setembro de 2017

Em Maio de 1979, os computadores pessoais ainda engatinhavam nos lares dos norte-americanos, o Windows ainda era um sonho distante na mente de Bill Gates, a internet ainda era uma rede exclusivamente militar, não havia vírus, ransomware, phishing ou spam.

Mas já havia crime eletrônico.

E a Divisão de Crimes Cibernéticos do FBI iniciava sua fundação com um caso pitoresco envolvendo BASIC, um hacker” muito atrapalhado e a lenda viva do country Johnny Cash.

O “O Homem de Preto” entra nessa história aos 47 anos de idade. Cash acumulava prêmios, honrarias, fãs e, obviamente, inimigos. Seu estilo direto e fora do comum o colocou em atrito com o que se convencionava chamar de música country, blues e mesmo rock and roll, quebrando barreiras entre os gêneros.

Mas um destes inimigos não tinha nada a ver com a música produzida por Cash e sua história poderia ter ficado esquecida nas brumas do tempo se o FBI não tivesse aberto seus arquivos secretos sobre o músico após a sua morte. Antes de se converter a religião, Johnny Cash teve uma vida de desordem e confusão e seu discurso franco poderia classificá-lo como um agitador, mas os documentos guardados sobre ele estavam basicamente registrando as inúmeras ameaças de morte recebidas ao longo de sua carreira.

A de Maio de 1979 se destaca. Sem assinatura ou remetente no envelope, um bolo de páginas impressas e datilografadas chegou no escritório de sua gerente naquele mês, supostamente enviadas por um ex-marido de uma de suas seis filhas. Faltava tanta coerência na mensagem que o responsável pela carta nem mesmo especificava com qual das filhas ele tinha sido casado. Mas o sujeito prometia que ela teria um “Natal de 1978” que jamais esqueceria, embora o envelope com as ameaças tivesse sido postado quase seis meses depois da data…

O autor comparava a tal filha com Cleópatra e a si mesmo com Júlio César, mas afirmava que seu plano para se livrar dela era mais interessante do que enviar serpentes venenosas para ela: ele ia escrever um programa de computador!

E o que esse assustador programa de computador fazia? Escrevia linhas e linhas de texto com a mesma frase: “eu gostaria de desejar a todos vocês um Feliz Natal e o melhor de tudo para o próximo ano novo”. Não foi bem o fato de se estar em Maio que chamou a atenção da família Cash, mas o fato do mesmo texto estar repetido de uma forma meio sombria 55 vezes. Nesse momento, provavelmente caiu a ficha de que as autoridades precisavam ser acionadas.

Não satisfeito com essa proeza de BASIC, o autor da carta também programou para repetir 100 vezes a frase “EU TE AMO”, em Inglês e Alemão, se alternando.

Indeciso se estava escrevendo uma ameaça ou não, o autor da carta também pedia dinheiro para o Natal, alegava que estava duro, que sua nova namorada havia “limpado” ele e que “nenhuma doação seria pequena demais”.

Os Federais Estão no Caso!

O FBI levou a carta bem a sério. O envelope enviado para Cash era para ser um… de 1200. O autor explicava que o envelope trazia o número estampado porque havia outros 1199 seguindo pelos correios para diferentes destinatários. Não chegaram a ser tantas, mas praticamente 1000 delas foram realmente enviadas para todos os Senadores, todos os Deputados norte-americanos, assim como para todos os Governadores de todos os 50 estados, assim como seus vices, e alguns indivíduos. E Johnny Cash, é claro.

Foi iniciada uma investigação que, para ser franco, nem foi tão complicada assim. Embora o sujeito responsável pelo incidente não pudesse ser identificado com nenhum ex-marido ou ex-namorado de qualquer filha de Johnny Cash, ele cometeu erros primários em sua ameaça.

Primeiramente, parte do próprio código-fonte usado para gerar as linhas repetidas de texto também foi impresso e enviado junto com o envelope. O nome do autor estava explicitamente declarado no código. Aparentemente, o programa em BASIC havia sido criado originalmente como um presente de aniversário (!) para a mãe (!!) do autor, cujo nome também aparecia no programa. O que explicava as mensagens carinhosas impressas diversas vezes…

Mas o segundo erro foi ainda mais grave: o mesmo programa também servia para imprimir o cartão de visitas do programador desastrado. E estava ali, impresso no meio das folhas enviadas para Cash, com seu endereço completo.

O autor era residente da cidade de Chandler, no Arizona. Para o FBI foi apenas uma questão de fazer uma visita ao endereço e confiscar o computador presente no local para descobrir a origem do programa, devidamente assinado pelo mesmo responsável!

Como se ainda fosse necessário, o autor do programa e das centenas de cartas acabou confessando o que tinha feito. Segundo ele, tudo aquilo tinha sido parte de um esquema para “impressionar a namorada”. No final da investigação, o FBI descobriu que o responsável tinha um histórico de doença mental e era, na realidade, inofensivo. Cash acabou retirando a queixa contra o acusado e o caso foi dado como encerrado.

O destino do estranho programador nunca foi revelado. Sua identidade permanece em sigilo até hoje. Mas começava ali o embrião do que viria a se tornar a Divisão de Crimes Cibernéticos do FBI.

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