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Cinco sinais de que sua startup está condenada

8 de outubro de 2016

É fácil olhar para o Uber, Facebook ou Dropbox e pensar que o futuro está nas startups e que uma ideia na cabeça, algum dinheiro no bolso e muita disposição podem se converter em uma receita garantida.

Mas, com ou sem bolha, com euforia ou crise, o mercado de tecnologia de informação também está repleto de histórias de ótimas ideias, que até tinham dinheiro e, com certeza, também tinham disposição, mas que naufragaram assim mesmo sem nunca atingir o estrelato.

É possível e até recomendável aprender também com as falhas e não somente com os casos de sucesso. O site CB Insights compilou 166 histórias de fracasso de startups que acreditavam que estavam no caminho certo. Desse volume colossal de narrativas, é possível extrair cinco sinais de que talvez aquele projeto esteja condenado nesse exato momento…

Sinal 1: A startup não tem foco

multitasking

Entender a natureza do seu negócio é fundamental em qualquer área. Nenhum restaurante do mundo pode ser especializado em massas, frutos do mar, sobremesas, show ao vivo, vinhos e hamburgueres… O resultado no caso de softwares é o infame bloatware, com mais recursos do que o usuário realmente necessita ou deseja. No caso de startups, o resultado da falta de um foco é a bancarrota.

“Nós tentamos fazer tudo para todo mundo”, confessa Yash Kotak, fundador da startup Lumos, após o fechamento. “Nós estávamos produzindo interruptores que poderiam automatizar suas lâmpadas, ventiladores, aquecedores de ambiente e aquecedores de água. Nós teríamos tentado automatizar sua TV, geladeira, forno e carro também, se fosse possível”. Obviamente, era um escopo mais amplo do que o imaginado. “Como uma startup, você está limitado nos recursos. Então é sempre melhor identificar e resolver um problema muito bem ao invés de tentar resolver n problemas mais ou menos”.

Thor Fridriksson e sua finada startup Pumodo corroboram essa visão. Na sua reflexão tardia, ele lembra que que ele e seus colegas estavam, segundo suas próprias palavras, “enroscados na máquina de euforia” e cometeram o mesmo erro de serem medianos em várias coisas ao invés de serem excelentes em apenas uma. “Nosso plano de negócios mudava toda semana. Nós mudamos de focar apenas em futebol para nos tornamos um aplicativo para todos os esportes”.

Sinal 2: Sua ideia fugiu do controle

Quando a startup Blurtt começou, era um serviço onde era possível pagar uma pequena quantia para criar um cartão postal físico a partir do telefone e enviar para alguém pelo correio. Uma ideia única, direta e focada. Mas um ano depois o modelo de negócios mudou para um serviço gratuito que seria sustentado por anúncios colocados na parte de trás do cartão postal. Mais um ano se passou e a empresa mudou para uma “plataforma móvel de micro-presentes e cartões de saudações”, mas a ideia não decolou e logo depois tentou vender o conceito de “blurtts”. O neologismo nada mais era que um aplicativo dedicado a criar textos engraçados sobrepostos a imagens, basicamente um novo nome para “memes”.

Entre idas e vindas, “no final, a paixão e a mágica estavam perdidas”, confessou Jeanette Cajide, fundadora da Blurtt. Sua dica para novos empreendedores? “Lembre-se em primeiro lugar do motivo pelo qual você começou e nunca perca isso de vista, porque uma vez que isso se torna algo que você não está feliz de fazer, você não deveria estar fazendo”.

Um processo semelhante atingiu o Secret, que teve o mesmo fim. Por um curto espaço de tempo, parecia que o aplicativo de mensagens anônimas seria a sensação do momento em 2014 e a startup chegou a ser avaliada em 100 milhões de dólares no mercado. Mas então, vieram as polêmicas e as proibições: em um ambiente onde não era possível identificar o emissor das mensagens, floresceram o cyberbullying e os boatos. Secret acabou passando por diversas mudanças, tentando se adequar às reclamações e agradar a todo mundo. Dezesseis meses depois de começar, a empresa fechou as portas. Para David Byttow, criador do aplicativo, “infelizmente, Secret não representa a visão que tive quando comecei a empresa, então eu acredito que é a decisão certa para mim, nossos investidores e nossa equipe”.

Sinal 3: Seus donos não estão prontos para o sucesso

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Uma boa ideia não é sinônimo de sucesso se a empresa não está pronta para entregar aquilo que concebeu. Essa é uma lição que Martin Erlić, da startup UDesign, aprendeu da pior maneira possível: sua empresa faliu em um ano, depois de investir maciçamente no marketing e muito pouco em fazer o conceito funcionar. A UDesign prometia colocar na mão do usuário a chance de criar seu próprio padrão e aplicá-lo em uma peça de roupa, literalmente customizando seu visual. Mas a empresa não tinha um componente vital na equação: programadores.

O próprio fundador e seus parceiros tentaram programar o sistema de criação de padrões eles mesmos, mas os resultados foram catastróficos, não havia mais verba para contratar profissionais capacitados, os usuários estavam vindo mas encontrando grandes dificuldades para fazer o serviço funcionar. “Nós achávamos que poderíamos atrair as pessoas agora e criar tudo depois. Errado”, admitiu Erlić.

Wattage é outra startup, com um conceito similar: colocar o controle na mão do usuário. Mas ainda mais ousado: o serviço permitia que qualquer um concebesse seu próprio dispositivo eletrônico, arrastando e soltando componentes em uma ferramenta online. O dispositivo criado seria então fabricado e despachado para a residência do usuário dias depois. Jeremy Bells, fundador da empresa, confessou que eles não estavam preparados: “quando eu olho para os vários protótipos que nós criamos, a qualidade simplesmente não estava lá”. O sistema de produção não estava refinado, o produto entregue não era bom o suficiente e a startup fechou.

Sinal 4: A startup está em terreno legal pantanoso…

justice

O Uber provocou uma disruptura na mobilidade urbana e acabou incitando a criação de novas leis, uma vez que o serviço estava fora da cobertura legal. É um caso que deu certo, mas poderia perfeitamente ter dado errado e ainda há tempo para dar errado, mas o Uber continua tentando.

Outras startups que desafiaram as leis e lançaram primeiro para legalizar depois não tiveram a mesma sorte. Os casos mais emblemáticos certamente estão na indústria musical, desde os tempos imemoriais do Napster. Mas quem também foi por um caminho semelhante foi o Grooveshark, que conseguiu sobreviver por dez anos antes dos problemas legais finalmente determinarem seu fechamento. Em seu memorando de encerramento, a própria empresa admite: “nós cometemos graves erros. Nós falhamos em assegurar as licenças dos detentores dos direitos autorais para a grande quantidade de música no serviço. Isso foi errado”.

Como resultado, o Grooveshark não apenas foi forçado a fechar pelas gravadoras. A empresa também teve que vender tudo que tinha, aplicativos, patentes e direitos para os proprietários das músicas que eles haviam negligenciado. Foram dez anos de operação, mas a lei acabou prevalecendo. Assim como no caso do Megaupload, da Exfm, da Turntable.fm e vários outros que entraram no complicado dilema de oferecer um serviço que infringia direitos da poderosa indústria fonográfica.

Nas palavras de Billy Chasen, fundador da extinta Turntable.fm, essa é uma batalha complicada: “nós gastamos mais de um quarto de nosso orçamento em advogados, royalties e serviços relacionados para oferecer suporte a música”. E, no final da história, foi tudo por água abaixo.

Sinal 5: O produto depende do serviço de outrem

fracasso

Na natureza, a remora é um peixe que se adaptou para viver grudada em um tubarão ou outros peixes e se alimentar de suas sobras. A relação não prejudica aquele que carrega a remora. Mas seria o fim da remora se o outro animal decidisse subitamente que não é uma boa ideia ter outro peixe grudado nele… No mundo da tecnologia, diversas startups foram erguidas baseadas no serviço de outras empresas ou APIs. Mesmo não prejudicando a empresa principal, mesmo oferecendo muitas vezes um produto de qualidade para o usuário, a relação é muito mais frágil do que a da remora. Porque, nesses casos, é comum a empresa principal mudar de ideia.

Um dos casos mais recentes e notórios é o do Twitpic. Assim como diversas outras empresas terceiras que dependiam da API do Twitter,  e foram inclusive incentivadas a participar do ecossistema no início da rede social, ela sofreu com uma reviravolta na estratégia de mercado do Twitter e foi obrigado a fechar as portas, depois de anos de funcionamento. No final da história, acabou absorvida pelo Twitter.

Muitas vezes não se tratam de ameaças legais, mas sim de uma perda de relevância, quando a própria empresa “mãe” passa a oferecer nativamente a funcionalidade que antes era coberta pela startup. Foi o destino da Lookery, uma startup de marketing que trabalhava com dados estatísticos do Facebook. A rede social passou a ofertar um serviço de análise de dados superior ao da Lookery. Como afirmou Scott Rafer, fundador da startup, “previsivelmente e sensatamente, o Facebook agiu em seu próprio interesse ao invés do nosso”.

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