Uber demite co-fundador da Otto após escândalo

A compra da Otto pelo Uber para o desenvolvimento de veículos autônomos virou uma página sombria no final da noite de terça-feira: um dos fundadores da empresa de caminhões inteligentes foi sumariamente demitido.

O desligamento de Anthony Levandowski da startup que ajudou a criar vem no rastro de uma grave disputa judicial com o Google, que acusa o executivo de espionagem industrial.

De acordo com o processo aberto na Justiça, Levandowski teria conspirado para levar tecnologia de propriedade do Google quando saiu da empresa para fundar a Otto. No total, o engenheiro teria baixado cerca de 9.7 GB de documentação, mais de 14 mil arquivos, usando ferramentas específicas para ganhar acesso ao servidor onde os dados confidenciais estavam armazenados, seis semanas antes de solicitar sua saída do Google e teria tomado medidas para tentar ocultar sua ação.

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O Uber desde o início do processo negou ter conhecimento das atividades prévias de Levandowski e exigiu explicações para a origem da tecnologia utilizada pela Otto. Ainda que o executivo tenha assumido uma posição de destaque no núcleo de pesquisa e desenvolvimento de veículos autônomos do Uber, o silêncio do acusado estava incomodando a empresa. Confrontado com provas sobre as acusações, Levandowski optou por não colaborar nem com as investigações internas conduzidas pelo Uber nem com o tribunal.

Em nota oficial, o Uber ressalta que tentou contar com a cooperação de Levandowski para solucionar a questão durante meses e o executivo não cumpriu com nenhum dos prazos determinados.  Angela L. Padilla, conselheira legal do Uber para contratações e recursos humanos, enviou um email para todos os funcionários explicando a decisão que levou à demissão do engenheiro: “nós levamos nossas obrigações com uma ordem judicial muito a sério, e assim nós escolhemos encerrar seu vínculo com o Uber”.

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