Tim Berners-Lee critica retrocesso na privacidade online nos Estados Unidos

Tim Berners-Lee, pai da web, vem tendo motivos de sobra para ficar aborrecido com os rumos que seu invento tomou nos últimos anos.

Defensor de uma internet aberta, neutra e livre da intervenção de empresas e estados, o engenheiro criticou abertamente a revogação das regras que protegiam a privacidade dos usuários nos Estados Unidos.

Para Berners-Lee, a comercialização de dados de usuários por parte dos provedores de acesso é uma situação “revoltante”. Ele estava presente em uma cerimônia para receber o Turing Award, considerada a premiação máxima da Ciência da Computação, quando foi informado que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou a lei que havia sido votada no Congresso norte-americano. Perguntado sobre o que achava da questão, o cientista de 51 anos se mostrou entristecido.

“Quando nós usamos a web, nós estamos tão vulneráveis. Existem coisas que as pessoas fazem na web que revelam absolutamente tudo, mais sobre elas do que elas mesmas sabem às vezes. Por que tantas coisas que nós fazemos em nossas vidas que na verdade passam através desses cliques, isso pode ser ridiculamente revelador. Você tem o direito de ir a um médico em privacidade onde estão apenas você e seu médico. E, da mesma forma, você deveria ser capaz de ir na web”, desabafou.

Ele acredita que o direito à privacidade é algo que deveria extrapolar fronteiras partidárias e deveria ser defendida por Democratas e Republicanos nos Estados Unidos. Entretanto, a medida que reautoriza os provedores de acesso a negociarem dados de navegação, localização e até produtos comprados pelos internautas através da web foi aprovada no Congresso por 215 votos a 205, antes de ser assinada pelo presidente.

 

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