Palmer Luckey está fora da Oculus

Há um ano, Palmer Luckey era a face da Realidade Virtual e entregou pessoalmente a primeira unidade do Oculus Rift para um comprador no Alaska. Agora, ele está saindo da empresa que ajudou a fundar.

Sem revelar os motivos, o comunicado foi emitido pelo Facebook, atual proprietária da Oculus, de forma impessoal, mas agradecendo e reconhecendo a importância de Luckey no desenvolvimento da tecnologia.

O que aconteceu realmente? Em um curto espaço de tempo, o promissor desenvolvedor de 24 anos responsável pela criação do Oculus Rift desceu da posição de astro de uma tecnologia emergente para vilão, ou, pelo menos, persona non grata nos bastidores do Vale do Silício. Não se sabe se ele foi demitido pelo Facebook ou se sua saída é voluntária, uma vez que a empresa se recusa a comentar sobre os detalhes e o próprio Palmer Luckey mantém um silêncio auto-imposto desde Setembro.

Em Setembro do ano passado, a imprensa descobriu que o milionário executivo da Oculus financiava secretamente um grupo de extrema direita que usava estratégias duvidosas para desacreditar a candidata Democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton. O próprio Luckey foi ligado a uma identidade virtual que teria feito comentários jocosos sobre Clinton. O criador do Oculus Rift se desculpou pelo financiamento, negou ser o autor dos comentários e escolheu se afastar da vida pública para não comprometer a imagem da empresa.

Luckey voltaria aos holofotes da pior maneira possível em Janeiro, ao sentar no tribunal para ser julgado por furto de informações no processo movido pela ZeniMax contra a Oculus. A produtora de jogos eletrônicos acusou a Oculus de desenvolver sua tecnologia de Realidade Virtual a partir de código proprietário. Embora a Oculus em si tenha sido inocentada das acusações, o próprio Palmer Luckey foi considerado culpado de quebra de contrato e obrigado a pagar uma multa de 50 milhões de dólares.

É possível que essa sequência de eventos tenha comprometido seu lugar na empresa que fundou e até então presidia. Diplomaticamente, o Facebook apenas comunica que “Palmer será carinhosamente lembrado. O legado de Palmer se estende além da Oculus. Seu espírito inventivo ajudou a catapultar a moderna revolução da Realidade Virtual e ajudou a construir uma indústria. Nós somos gratos por tudo que ele fez pela Oculus e pela Realidade Virtual, e nós desejamos tudo de melhor para ele”.

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