Mojang fornece mais detalhes sobre sua aquisição pela Microsoft

E aquilo que muitos temiam (pelo menos os mais ligados à indústria dos games e/ou aqueles que enxergavam a empresa como um dos grandes bastiões independentes na indústria de jogos eletrônicos) aconteceu. A Microsoft adquiriu a Mojang, a empresa responsável por Minecraft, fundada pelo sueco Markus “Notch” Persson em 2009 (mesmo ano do lançamento do sandbox, aliás, para PC).

A gigante de Redmond pagará pela empresa de Notch (e consequentemente por sua maior criação) um valor realmente surpreendente: 2,5 bilhões de dólares. Uma cifra e tanto, principalmente se levarmos em consideração que o jogo é mais uma ferramenta para criação do que qualquer outra coisa (não desmerecendo de forma alguma esta característica, muito pelo contrário – as obras maravilhosas que já ganharam vida através do título até hoje são grandes provas de que ele é um fenômeno que não pode passar despercebido).

Para você ter uma ideia melhor, o valor pago pela Microsoft também é muito maior do que o valor pago pela Amazon pelo Twitch (970 milhões de dólares).

E também hoje, no site da empresa, Owen Hill e Lydia Winters forneceram mais detalhes a respeito da aquisição, em um post intitulado “Yes, we’re being bought by Microsoft” (Sim, estamos sendo comprados pela Microsoft). A dupla não deixa de mencionar que o futuro do jogo e a comunidade em torno dele são extremamente importantes “para todos os envolvidos”.

Minecraft

Obviamente, uma das principais perguntas que passam pela cabeça de todas as pessoas neste momento é: “Por que”? Por que Notch teria aceitado o acordo? Por que ele vendeu sua empresa para a Microsoft?

Por que a Mojang foi vendida para a Microsoft?

Hill e Winters dedicaram um trecho do post para esta explicação. Aparentemente, tudo teria a ver com Notch. O sueco possivelmente jamais quis que seu jogo atingisse as proporções monumentais que atingiu. Ele não deseja, pelo que tudo indica, ter em mãos uma empresa tão grande, com tamanha importância.

O post explicativo tenta, de certa forma, fazer-nos entender que Notch se sentia bastante pressionado pelo peso de Minecraft, pelo peso de sua empresa, problema que até mesmo o impedia de trabalhar em projetos menores, de menor importância. A venda, sendo assim e ainda de acordo com o post acima mencionado, teria sido a única saída encontrada pelo empresário.

Se pensarmos bem, se olharmos para a maneira como Minecraft ganhou o mundo e como ele conquistou milhões de fãs, e se considerarmos o fato de que ele foi criado por Notch sozinho, praticamente, tudo faz mais sentido. A ideia de independência, de um “indie game até a raiz”, de algo “não mainstream”, sempre esteve ligada ao jogo.

O sandbox sempre contou com uma grande parcela indie intrínseca. Muito provavelmente, bem poucas pessoas o enxergam de maneira diferente. Não se trata de um jogo que possa ser compreendido, visto e utilizado da mesma maneira que lidamos com algum título da franquia COD, por exemplo, ou como um Battlefield 4.

Minecraft sempre soou como algo menor, como algo, talvez, mais underground, apesar das mais de 54 milhões de cópias vendidas, apesar do dinheiro que ele rendeu a seu criador (que já chegou a oferecer ajuda até a Tim Schafer), apesar de ter atingido diversas outras plataformas, além do PC. E talvez aí resida, quem sabe, uma das razões para o medo de Notch, para a pressão que ele sente (ou sentia). Talvez Notch pretenda ser sempre um “indie developer“, pelo menos no que diz respeito ao tamanho dos projetos e à maneira como eles atingem o mercado. Talvez, quem sabe, Minecraft tenha se transformado em um gigante com o qual ele não se sente mais à vontade.

Talvez Notch já tenha percebido que se as coisas continuarem neste rumo muito em breve sua maior obra perderá o “ar independente” e se transformará em um “monstro” do qual ele desejará manter distância. Um jogo mainstream, um título AAA “de verdade” (se não a curto prazo, pelo menos em uma ainda hipotética sequência), da maneira que a grande indústria e a grande mídia interpretam este conceito. E Notch pode muito bem desejar uma vida mais calma, uma empresa menor; ele pode muito bem desejar se dedicar apenas a projetos menores. Permanecer, ou voltar, ao mundo dos indie games.

Vendido

Algo que o último post no site da empresa menciona, também, é uma grande prova deste tamanho colossal de Minecraft:

Existem apenas um punhado de potenciais compradores com os recursos para fazer com que Minecraft cresça em uma escala que ele merece. Temos trabalhado em estreita colaboração com a Microsoft desde 2012, e ficamos impressionados pela sua dedicação contínua ao nosso game e ao seu desenvolvimento. Estamos confiantes de que Minecraft continuará a crescer de uma forma incrível“.

A “dica” está explícita no trecho acima: poucos poderiam adquirir Minecraft. Existem poucas empresas no mercado com os recursos necessários para manter e melhorar Minecraft, mesmo que isto signifique a fuga do jogo do mundo indie, algo que, quer queiramos quer não, fatalmente ocorrerá.

A Microsoft certamente fará o game evoluir, o lançará também para Windows Phone, e não deixará, acreditamos, a “peteca cair”. O que isto representará para a visão que temos do jogo e para a maneira como milhões de pessoas o utilizam para dar asas à imaginação, entretanto, não sabemos.

Questões relacionadas às plataformas, ao benefício de algumas em detrimento de outras, ao lançamento ou não de outras versões e/ou sequências do sandbox exclusivas de consoles (do Xbox One, por exemplo), ainda são incógnitas. Notch, entretanto, parece não se preocupar com isto, ou pelo menos confia bastante na MS.

Owen Hill e Lydia Winters disseram também que o suporte ao jogo continuará, em todas as plataformas (PC/Mac, Xbox 360, Xbox One, PS3, PS4, Vita, iOS e Android). Mas eles também disseram que a Microsoft não pode “prever as escolhas que pode fazer no futuro” (algo um tanto quanto amedrontador, não?), e aqui não podemos nos esquecer do Project Spark, da MS.

Minecraft

Trata-se, trocando em miúdos, de um “game para criar games”, algo com algumas semelhanças com Minecraft, claro, e que é exclusivo das plataformas da Microsoft, com o detalhe de que, em relação aos computadores, é exclusivo do Windows 8, sistema operacional que já foi bastante criticado pelo próprio Notch.

Já sabíamos de antemão, também, que Notch deixaria a Mojang após a venda. O blog da empresa também menciona a saída dos dois outros fundadores, Carl O. Manneh e H. Jakob Porsér, e deixa no ar uma certa incerteza a respeito da permanência total ou não do atual staff.

E assim, pelo menos uma grande certeza podemos ter em mente: Notch teria se cansado e, pressionado e incapaz de se focar em outros projetos, menores, decidiu então vender a empresa, pela “bagatela” de 2,5 bilhões de dólares. Diversas coisas ainda devem ser esclarecidas, com o decorrer do tempo. Talvez novas informações e detalhes sejam divulgados, e talvez possamos entender melhor as motivações de Notch.

Mas o dia de hoje marca, muito provavelmente, o início da viagem de Minecraft para o mundo mainstream. Para o universo onde nem sempre o dinheiro tem voz mais fraca que a inovação e a criatividade. Vamos torcer para que a Microsoft, também, não deixe de considerar as outras mentes criativas que ajudaram a fazer com que Minecraft chegasse até onde chegou.

Mentes que continuam (por enquanto) no staff da Mojang. E para que este espírito de comunidade que sempre se fez presente e uniu desenvolvedores e jogadores continue. Vamos aguardar por novas (e, esperamos, positivas) notícias.

Sobre Marcos A.T. Silva

Marcos A.T. Silva é empresário na área de TI. É apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Atari 2600. Outras de suas paixões são a leitura e a música. Toca piano desde cedo e também gosta do bom e velho rock ‘n roll. Pode ser encontrado também no XboxPlus.

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