Ministério Público Federal recebe denúncia sobre publicidade infantil no YouTube

O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro recebeu denúncia contra 15 empresas que estariam utilizando estratégias escusas para promover publicidade infantil no YouTube.

O esquema denunciado envolvia YouTubers mirins, que estariam recebendo presentes para promoverem produtos e marcas em seus canais, o que é considerado abusivo por entidades de proteção ao consumo infantil.

Segundo o projeto Criança e Consumo, “por conta da enorme visibilidade dos youtubers mirins entre o público infantil, e a influência e impacto que exercem sobre outras crianças, as empresas utilizam esses canais para anunciar, de forma velada, seus produtos, serviços e promoções e criar fidelidade e adesão do público infantil”. O Ministério Público acatou a denúncia e irá notificar as empresas sobre a prática.

Para Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Instituto Alana, ONG dedicada à proteção da infância, essas empresas “se aproveitam da hipervulnerabilidade, tanto da criança youtuber como da espectadora, para desenvolver publicidade abusiva para crianças”. Ainda de acordo com a advogada, muitos canais no YouTube “mostram as crianças agradecendo às marcas pelos ‘presentinhos’ ou lendo informações enviadas pelos fabricantes”.

Claudia Almeida, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), corrobora o posicionamento: “se publicidade para criança não pode na TV, porque poderia na internet? Para o Idec, está claro que essa prática de enviar produtos para os youtubers mirins é totalmente abusiva, porque usa uma criança para vender algo para outra criança. Para nós, não existe legalidade em publicidade direcionada ao público infantil”.

As empresas que fazem parte da denúncia são: Biotropic (cosméticos), C&A (roupas), Cartoon Network (canal a cabo infantil), Foroni (material escolar), Kidzania, Long Jump e Mattel (brinquedos), McDonald’s, Pampili (sapatos), Puket (meias e pijamas), Ri Happy (loja de brinquedos), SBT (canal de TV), Sestini (mochilas) e Tilibra (papelaria). A maioria delas negou o uso dos presentes como ferramenta publicitária.

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