Facebook não assusta, diz Google Brasil

Google não teme concorrência do Facebook
Apesar de todo o barulho feito na imprensa e dos números cada vez mais favoráveis, o crescimento do Facebook no Brasil não tira, nem por um minuto, o sono do novo presidente da Google no Brasil, Fabio Coelho. “Vejo muito mais como algo que vem para expandir o mercado de publicidade online”, disse o executivo em conversa com jornalistas na sede da empresa, em São Paulo.

Nome importante no setor de mídia digital (é presidente do IAB, Coelho acredita que a publicidade na web ainda tem muito a crescer no país, por isso, há espaço para todos. “O Facebook vai acabar demonstrando que a gente pode aumentar a fatia do online no bolo total”. O executivo cita números para comprovar a tese. Segundo ele, a mídia online no Brasil tem, atualmente, em torno de 8% a 10% do total da publicidade (contabilizando todos os subsegmentos), mas deverá ter entre 15% a 18% nos próximos anos se seguir a tendência dos mercados maduros.

Um dos caminhos é tornar a publicidade menos intrusiva, e menos dependente do modelo atual de banners e pop-ups — ambos ignorados pela maioria dos internautas. “A mídia precisa ser um serviço, gerar engajamento”, argumenta.

Há apenas dois meses no cargo, o presidente da Google no Brasil tem como desafio diversificar as fontes de renda da empresa, hoje concentradas no negócio de links patrocinados (aqueles que aparecem nos resultados do mecanismo de busca). “Não somos somente uma empresa de busca”, afirma. “Temos o poder de difusão do Orkut e do YouTube, por exemplo, sem falar no crescimento do Chrome.
Para Coelho, apesar do momento “down” que o Orkut vive no mundo, a rede ainda é uma potência no Brasil. “Temos mais de 85 milhões de usuários ativos, e continuamos a crescer”, diz. O executivo afirma que a monetização do Orkut é feita por meio de canais patrocinados, como o da Casas Bahia, e da geração de um “ecossistema” em torno da rede social, como os jogos da Vostu. “As pessoas compram tratores para fazendas, armas para seus jogos, é todo um mundo de micropagamentos”, conta.

Outra jóia é o YouTube, acredita. “Nossa transmissão do carnaval de Salvador teve audiência de 12 milhões de internautas em mais de 200 países”, afirma.

Outra área em que Coelho aposta é o Google Apps, a suíte online de aplicativos para escritório. Ele citou um acordo com a Faculdades Anhanguera, em que 310 mil usuários adotaram a ferramenta, como um exemplo.

Até o Street View, um serviço totalmente gratuito, entra na conta. O executivo deu como exemplo o acordo com a Fiat para o uso dos carros da marca na primeira fase do mapeamento. “Além disso, temos outros projetos em vista”, disse, sem dar mais detalhes.

O executivo também tem planos para fazer a Google, hoje com 300 funcionários, crescer no país. O centro de desenvolvimento de software em Belo Horizonte, por exemplo, só não aumenta de tamanho por absoluta falta de mão de obra qualificada. “Achar engenheiros de software voltados para produtos de consumo não é fácil”, explica Felix Ximenes, diretor de comunicação da Google no Brasil.
“Mudar o mundo”

Para Coelho, a Google é uma empresa de visão, digamos, diferenciada. “Nosso conceito é: vamos fazer bons produtos e depois lucrar com eles”. Essa filosofia permite ao executivo ter um foco muito maior em crescimento do que em resultados finais, diz.

“Não temos a angústia de sermos líderes em tudo. Podemos lucrar com nossos produtos em outras plataformas”, argumenta. Para Ximenes, a Google é “uma empresa de engenheiros que querem mudar o mundo”.

Outro ponto envolve o conceito sobre o futuro da Internet. “É uma discussão filosófica. Acreditamos no ambiente aberto”, diz, numa óbvia alfinetada sobre os “mundos fechados” do Facebook e Apple. Ximenes dá o exemplo da AOL, portal e provedora de acesso que um dia pareceu ter o domínio da internet com sua plataforma proprietária.

Com informações de IDG Now!.