Criadores de MP3 decretam a morte do formato

Depois de ter provocado uma revolução na forma como consumimos música, o bom e velho MP3 pode estar com os dias contados.

Quem garante isso não é a indústria fonográfica, que trava uma batalha de décadas contra o formato, mas seus próprios criadores, do Fraunhofer Institute, na Alemanha.

Os responsáveis pela criação do MP3 nos anos 90 publicaram um comunicado onde anunciam o fim do licenciamento da tecnologia. A decisão coincide com a prescrição de patentes que tornavam obrigatório o processo de licenciamento para que fabricantes de software pudessem incorporar o suporte ao MP3 em seus produtos. Mas, de acordo com os pesquisadores alemães, o formato está ultrapassado e existem alternativas com mais funcionalidades e maior qualidade de áudio e não se justifica mais seguir utilizando o MP3.

O Fraunhofer Institute aponta a adoção por parte de serviços de streaming e televisão do AAC (parcialmente desenvolvido por eles também) e do emergente MPEG-H como um dos motivos que levaram ao encerramento do licenciamento do MP3.

Pesquisas mais recentes no campo da psicoacústica também determinaram que a tecnologia dos anos 90 estava descartando de forma errada informações relevantes em arquivos musicais, dados que eram necessários para a forma como a audição humana compreende a qualidade sonora. Em outras palavras, todos nós ouvimos por décadas nossas músicas da maneira errada, ignorando fragmentos importantes para sua assimilação correta.

Na prática, a decisão do Fraunhofer Institute pode levar anos para impactar os consumidores. Pode, inclusive, ter o efeito reverso do que foi intencionado. Sem a necessidade de pagar por um licenciamento, mais e mais fabricantes de software e empresas de transmissão podem passar a adotar o MP3 como padrão, ajudando a manter o formato ainda vivo pelas décadas que virão.

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