AfroReggae processa Google nos Estados Unidos

A iniciativa Além do Mapa, lançada no ano passado, se tornou o palco de um processo na Justiça norte-americana aberto pela ONG AfroReggae contra o Google.

A entidade brasileira acusa o Google de quebra do acordo de parceria para a produção do projeto e ter disponibilizado conteúdo sem dar o devido crédito ao AfroReggae.

Segundo a ONG, a ideia de mapear o interior das comunidades carentes do Rio de Janeiro para divulgar o cotidiano de seus moradores e desmistificar o preconceito existente por quem mora em outras áreas nasceu dentro do AfroReggae, na forma do Tá no Mapa. O grupo levou o conceito para o Google para unir a proposta com a tecnologia de filmagem em 360º do Google Maps e foi a base do Além do Mapa, lançado para divulgar o lado pouco conhecido da cidade às vésperas dos Jogos Olímpicos.

O projeto que deveria ser assinado em conjunto acabou sem apresentar o nome do AfroReggae em momento algum e a ONG busca uma reparação na Justiça dos Estados Unidos. De acordo com o advogado da ONG, Fábio de Sá Cesnik, “a lei lá é mais favorável, porque a indústria criativa tem uma preocupação maior com ninguém roubar a ideia de ninguém”. Um juiz da Califórnia, estado norte-americano que também é berço do Google, aceitou a abertura do processo.

José Junior, líder do AfroReggae, explica que o Google contratou uma produtora terceirizado para a preparação do Além do Mapa, mas a ONG esteve presente em todos os momentos das gravações. “Era uma equipe de produção muito grande. Eu pessoalmente mediei nos morros com o tráfico, carreguei a mochila do Google, ajudamos em tudo. Era natural isso, porque a gente se considerava parceiro, então não cobramos por nada”.

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José Junior operando o equipamento de filmagem em 360º usado no projeto.

Júnior também aponta que mesmo as histórias de moradores selecionadas para aparecer no projeto foram descobertas pelo AfroReggae, que guarda um profundo conhecimento das comunidades e seus habitantes. “Nós detínhamos a tecnologia social. Eu dei todas as ideias, e eles me ouviram. Eles pensaram até em contratar o Luciano Huck para ser embaixador das favelas, e eu tive que dizer que não” , revela o líder da ONG.

O Google não se pronunciou à imprensa sobre o processo, mas em resposta judicial contestou o pedido de indenização e alegou não entender qual foi exatamente o prejuízo causado à AfroReggae pelo projeto Além do Mapa.

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