Internet Explorer 11 no Divã [review]

Não usava o Internet Explorer pra valer desde a versão 7, mesmo assim com ressalvas. Ainda acordo no meio da noite, assustado, sonhando que preciso desenvolver CSS para o extinto IE6. Depois que conheci o Mozilla Firefox, a fuga do IE foi inevitável. Para mim e para a maioria de internautas, vale dizer.

Então, quando me foi proposto o desafio de testar o Internet Explorer 11 em sua versão para Windows 7, eu pensei: “será que vai ter jeito?”. Surpreendentemente, a Microsoft finalmente acertou.

Primeiros Passos

Inicialmente quero dizer que fiz os testes como um usuário comum faria. Mas detalhes mais técnicos estarão presentes neste artigo também.

IE 11Para experimentar a nova versão do navegador da Microsoft, usei o netbook da minha esposa, que tem o Windows 7 Starter. Pode-se argumentar que talvez não seja a melhor das configurações do mundo para este tipo de teste, mas eu digo que é sim: é uma máquina de baixa performance, assim como a da maioria dos usuários. Não é como se eu estivesse testando Call of Duty: Ghosts ou algo assim. Se deseja um lugar na guerra dos navegadores, o Internet Explorer não pode ser exclusivo de computadores top de linha.

Surpreendentemente, nem precisei instalar o Internet Explorer 11. O próprio Windows Update já havia dado conta automaticamente da atualização do Internet Explorer. Em tempos passados, essa proatividade soaria intrusiva por parte da Microsoft. Hoje em dia, com o Chrome e o Firefox fazendo a mesma coisa frequentemente, parece um caminho natural.

Na tela de configuração, a polêmica: o recurso Do Not Track do navegador continua ativado por padrão. Uma das mais controversas funcionalidades do IE 10, ela bloqueia a identificação do usuário quando ele visita sites, vetando cookies de redes de publicidade, sistemas de rastreamento e análise de dados. Para os ativistas da privacidade online, foi um grande passo da Microsoft. Para anunciantes, foi considerado um desastre, limitando a capacidade de oferecer anúncios segmentados. Para a maioria dos usuários, se está habilitado na instalação, vai continuar assim pelo resto da vida. Com o IE 11, é possível que o usuário especifique exceções ao bloqueio, mas eu não vi nenhuma referência a esta capacidade durante o uso do navegador.

Do Not TrackUm dos fatores que mais me cativou no Firefox foi sua biblioteca de complementos desenvolvidos pelos usuários. E quanto mais você instala plugins no navegador, mais dependente você se torna dele… A ideia está presente também no Chrome e, de forma mais tímida, no Internet Explorer desde a versão 7. Infelizmente, os desenvolvedores não atenderam ao chamado da Microsoft com o mesmo volume que atenderam às outras empresas e o resultado é uma oferta pífia de complementos, muitos deles pagos. Para completar o descaso, o próprio Internet Explorer 11 não parece muito preocupado em dar destaque aos complementos:

Complementos

Esse desastre de interface é a listagem de complementos no novo IE: com pouquíssimo espaço para a lista propriamente dita, rolagem para todos os lados possíveis e nenhum destaque para o link de Localizar novidades. E, ao contrário de outros navegadores concorrentes, a caixa de busca no Internet Explorer 11 foi extirpada dos menus. Procurei em alguns cantos, mas não achei como ativar.

Para completar meu desânimo inicial, tentei carregar cinco abas no navegador. Ele engasgou quatro vezes e na quinta vez:

Travado

“Acabou a análise”, pensei.

A Pleno Vapor

Então, me lembrei que, às vezes, o mesmo acontecia com Firefox no netbook da minha esposa e resolvi dar mais uma chance ao Internet Explorer 11. Menos de um minuto depois, estava tudo de volta ao normal, com as cinco abas devidamente carregadas.

Abas

Naveguei pelas páginas e não senti nenhuma queda de performance, ao contrário do que percebo usando o esquecido IE8 instalado em meu próprio PC. Jquery, AJAX, Flash, tudo parecia funcionar com a mesma rapidez que seus concorrentes e isto é uma grande evolução para o navegador da Microsoft.

Mas percepção é algo muito subjetivo e resolvi partir para um teste mais concreto. Inspecionei o Gerenciador de Tarefas do Windows para ter uma noção mínima dos recursos consumidos pelo navegador. Fechei o Internet Explorer 11. Abri as mesmas cinco páginas no Google Chrome, visualizei os recursos em uso. Fechei. Abri as mesmas abas no Mozilla Firefox e repeti o processo. O resultado acabou com qualquer dúvida. Não apenas o novo navegador da Microsoft estava rápido como também era o menos guloso em relação ao pobre netbook de minha esposa.

Comparativo de consumo de recursos

Talvez minha metodologia estivesse errada? Seria possível que… o Internet Explorer 11 fosse mais eficiente do que o Firefox 25 e o Chrome 30? Tanto no caso do IE quanto no caso do Firefox, apenas plugins de banco e complementos padrões estavam instalados. No caso do Chrome, nem isso: era uma instalação nova, exclusiva para o teste.

Consultando a internet, vejo que Craig Buckler, do Sitepoint, chegou às mesmas conclusões. E ainda realizou testes de performance contra códigos javascript bastante intensos:

Comparativo

Seus resultados de consumo de memória, também com 5 abas abertas em cada, foram similares aos meus, mesmo testando contra a versão 26 do Firefox:

  • IE11: 168Mb
  • Firefox 26: 225Mb
  • Chrome 30: 401Mb

Novidades? Novidades!

Mas, tirando performance, o que o novo Internet Explorer traz para a mesa? Se você precisa de um navegador com suporte a CSS Flexbox, SPDY, Web Cryptography API ou suporte a imagens de alto DPI, o Internet Explorer 11 é o seu navegador. Se você não entendeu nada do que eu falei na frase anterior, é porque as inovações do IE11 são bem obscuras e 99% dos usuários domésticos não vão perceber que elas estão ali. Mas vão sentir falta da caixa de busca.

Como é de praxe, a nova versão tem mais suporte do que nunca aos padrões web, como já vem acontecendo de longa data. Os tempos obscuros de cada navegador aceitando um “padrão” diferente não devem mais voltar. Mas, se você ainda usa detecção de user agents para identificar navegadores, a má notícia é que o Internet Explorer oferece Mozilla/5.0 (Windows NT 6.3; WOW64; Trident/7.0; rv:11.0) like Gecko como resposta. Nenhum sinal da string MSIE!  E se você usa o ancestral document.all para criar Javascript diferenciado para IE, este truque também não irá mais funcionar porque o IE11 não tem mais suporte a esta API.

A Microsoft está claramente tentando acabar com os identificadores de IE porque este novo IE é praticamente igual a qualquer outro navegador que está por aí e não precisa mais de código diferenciado. E isto é bom! Chega de diferentes folhas de estilo, diferentes implementações em Javascript, diferentes abordagens para layout e funcionalidades. Agora, como serviços de estatísticas vão identificá-lo corretamente, já é um problema deles…

Para os desenvolvedores, o Internet Explorer 11 traz finalmente um robusto conjunto de ferramentas embutido. Aperte F12 e se maravilhe com o leque de opções, capaz de deixar a Barra do Desenvolvedor do Firefox com inveja. Na verdade, algumas opções, como as ferramentas de rede, são sofisticadas até demais para um navegador doméstico. Mas, com certeza, há algum profissional em algum lugar salivando com as possibilidades abertas.

Developers! Developers! Developers!

Curiosamente, é também a única área que vi do Internet Explorer 11 com um visual próximo do Windows 8.

Conclusão

Com apenas 28.94% do mercado de navegadores, a outrora soberana Microsoft precisa de um milagre para recuperar o tempo perdido. Apesar da performance superior do Internet Explorer 11, ele ainda não é o salvador da pátria. Ainda que os números não mintam, a percepção do usuário é regida por valores subjetivos e poucos serão aqueles que farão a prova dos números. Para virar esta mesa, o novo navegador precisaria ser muito, muito mais rápido do que os atuais líderes do mercado. Como o Firefox foi em sua estreia. Como o Chrome foi em sua estreia.

Sem uma carteira de complementos que sequer chegue perto da oferta disponível para os concorrentes, fica difícil para o Internet Explorer 11 herdar usuários avançados ou semi-avançados. A má-fama das versões anteriores complica ainda mais o cenário. As novas ferramentas de desenvolvimento podem atrair alguns profissionais, mas nada que desequilibre o status quo.

Para o usuário comum, a falta de atrativos retumbantes não justifica a mudança. Para os usuários de IE 10, a transição automática pode assustar com o sumiço súbito da caixa de busca.

Infelizmente, a Microsoft entregou um produto robusto e rápido depois de anos de atraso. Agora, pode ser tarde demais.

 

 

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